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Uva de mesa tem potencial no Alentejo regado

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Luís Peres de Sousa, docente da Escola Superior Agrária do IPBeja, acaba de ser distinguido pelo governo francês pelo seu trabalho de investigação na área da uva de mesa, nomeadamente enquanto presidente da respetiva subcomissão da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Um dos estudos que desenvolveu permite concluir que a cultura da uva de mesa, a concretizarem--se as alterações climáticas previstas, "poderá ter um papel importante, não só económico, como também em termos sociais, na nossa região" e sobretudo "na zona de regadio de Alqueva".

Acaba de ser distinguido pelo governo francês com o grau de Cavaleiro da Ordem de Mérito Agrícola, devido ao trabalho de investigação que tem desenvolvido no campo agrícola. Como recebe esta distinção?
Foi para mim uma grande surpresa. Não estava de maneira nenhuma a contar com isso, nunca tal tinha sido feito a membros desta organização a que pertenço, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). É um organismo científico que elabora normas que são cumpridas pelos seus 44 estados membros. Portugal está representado na OIV, e eu neste momento sou o presidente da Subcomissão de Uva de Mesa, Uva Passa e Produtos não Fermentados da Videira. Esta condecoração resulta desse trabalho. O governo francês considerou que a atividade que tenho desenvolvido nesta área tem sido um trabalho relevante em termos do setor vitivinícola.

Em que tem consistido o seu trabalho de investigação?
Ao nível da OIV, começámos por estabelecer os limites técnico-científicos para a comercialização da uva de mesa. Foi um trabalho muito exaustivo para que pudéssemos estebelecer limites para a uva de mesa no comércio mundial. Outro aspeto muito importante foi ter saído o guia da OIV em termos de produção sustentável da uva de mesa. Estamos também a estudar o efeito na saúde humana do consumo destes produtos e a atualizar, em termos científicos, o guia para a produção de uvas passa.

Qual é o peso deste setor em termos nacionais e concretamente na região alentejana?
Este ano fizemos sair um livro sobre o impacto das alterações climáticas na cultura de uva de mesa em Portugal continental. Com uma previsão de um aumento de temperatura de mais ou menos dois graus centígrados, estudámos a evolução possível desta cultura na nossa região e no País. E se isso se concretizar, temos condições extraordinárias para que a cultura da uva de mesa se instale e tenha um aumento progressivo. Estou a falar essencialmente da zona do regadio de Alqueva. É uma cultura que poderá ter um papel importante, não só económico, como também em termos sociais, na nossa região. Hoje em dia o que nós queremos é arranjar janelas de oportunidade de mercados no exterior e também termos produções para abastecermos o mercado interno. É nesta dupla via que nós estamos a trabalhar.

Luís Peres de Sousa,
59 anos, natural de Arouca

É investigador e docente na Escola Superior Agrária de Beja, em áreas como Viticultura e Climatologia. De momento estuda os impactos das alterações climáticas na cultura da uva de mesa em Portugal continental, de que já resultou um livro. Foi nomeado pelo Estado português para representar o País na Subcomissão de Uva de Mesa, Uva Passa e Produtos não Fermentados da Videira, da OIV, e posteriormente eleito presidente pelos seus países membros.

21-11-2011